15/05/2007 07:38
A aproximação entre PT e PSDB fica cada vez mais clara
Como lembra com precisão Carlos Fehlberg, no site 'Política para Politicos' os primeiros movimentos nessa direção foram feitos pelo governador de Minas, Aécio Neves, mas somente na teoria.
Logo viria a eleição do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, do PT, com voto de alguns deputados tucanos. Aí já passamos da teoria à prática.
A partir desse ponto a coisa foi sendo feita cada vez mais às claras.
Entre as ações mais sugestivas tivemos a incursão de líderes do PSDB como Tasso Jereissati, que esteve recentemente com Lula e Aécio Neves.
Quase ao mesmo tempo, há um lento afastamento do PSDB do DEM, ex-PFL.
Nesse jogo cheio de sutilezas, o presidente Lula não perde tempo e também deixa vazar que convidou Fernando Henrique Cardoso para uma conversa durante o encontro no sepultamento de Otávio Frias.
É evidente que ocorre uma distensão entre dois adversários que nas últimas confrontações chegaram a requintes de crueldade de parte a parte.
Ainda, é claro, que obedecendo a um ritmo lento e gradual.
Dos líderes tucanos, Aécio é o que mais se movimenta. Ele não descarta uma aproximação com o governo e faz questão de admitir que nada é irreversível na política: "Não acho que devamos estar longe, definitivamente."
O presidente do PSDB, Tasso Jereissati mesmo cuidadoso, também avança.
Diz que acha não só possível como provável "que estejamos juntos no futuro".
E justifica a aproximação ao dizer "que o PT hoje é social-democrata." Apenas observa que antes as feridas terão que ser curadas.
Fehlberg lembra que a história política recente mostra muitos casos de diálogo e aproximação entre adversários que não se suportavam até outro dia. Basta que exista uma causa comum.
A sucessão presidencial de 1985 assegurou a eleição de um civil graças à aliança entre PMDB e uma expressiva dissidência do PDS, então adversários políticos.
Remotamente, outros registros existem e, entre eles, uma frente reunindo Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino.
É verdade que a 'causa comum' tinha o apelo maior da volta ou a sustentação do Estado de Direito. Serve, porém, para demonstrar a possibilidade de um entendimento político entre adversários tendo como elo um projeto nacional.
O ex-presidente Vargas era mestre nesse tipo de ação política.
De qualquer maneira, ainda que lentamente, as bases estão sendo lançadas.
No PSDB, existem resistências especialmente de Fernando Henrique.
Mas que a um sinal mais vigoroso de um Aécio, de um Tasso, ou mesmo de um José Serra, seriam simplesmente ignoradas.
Essa aproximação, se concretizada, teria o dom de reduzir as especulações em torno de nova reeleição, tema ainda vivo nos bastidores.
E se ao governo interessa ampliar sua base de apoio de forma sólida é possível que aos líderes do PSDB tal embasamento
também lhes convenha mais do que se pensa.
Devemos ainda lembrar que o PSDB chegou a admitir sua participação no governo Collor.
O próprio Tasso e Fernando Henrique foram convidados formalmente para integrar o ministério numa fase de aguda crise nacional. E só não assumiram porque Mário Covas se opôs.
Agora, Fernando Henrique parece desempenhar aquela tarefa de Covas. Só que Mário Covas é hoje pouco mais que um retrato na parede da galeria dos grandes 'tucanos' de todos os tempos.
Mesmo em vida, Fernando Henrique Cardoso poderá vir a ser outro nessas condições.
Fehlberg, como nós, acreditamos, porém, que até o congresso do PSDB no segundo semestre, não teremos novidade.
Ele deverá ocorrer às vésperas das eleições municipais que também constituem um desafio para os tucanos. Afinal com que discurso, no caso de adesão, se apresentariam diante do eleitorado?
Ao seu aliado - mais que aliado, parceiro dos últimos tempos, o ex-PFL, o DEM - restaria então a tarefa historicamente desempenhada pela UDN, a de oposição minoritária, mas combativa.
No DEM, por exemplo, as reações já existem. Rodrigo Maia acha que quando se atira para todo o lado, perde-se a nitidez.
Um motivo a mais para os prováveis futuros adeptos dessa aproximação com o governo ccaminharem com cautela. É preciso avaliar bem as reações, para ver se vale a pena enfrenta-las.
Mas com dizem, "jo no creo en brujas, mas que las hay, hay".
enviada por Tão
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