01/06/2007 10:45

Governar a Italia (ou o Brasil) não é dificil. É inutil




Enfim, dada a ausencia de fatos preocupantes deste lado do Atlântico, onde tudo corre conforme os planos, dentro dos trilhos, façamos como recomenda a Florberla Espanca.

Só a obrigação de ser politicamente adequado me impede de escrever que a sra. Espanca é uma das maiores poetisas da língua.

O adequadamente correto seria dizer 'poeta'. Usar ´poetisa' já revelaria uma discriminação sexual inaceitável.

Enfim, existem idiotas em todos os ramos de atividade, inclusive entre os radicais do politicamente correto.

Eu iria até mais longe. Principalmente entre eles.

Pois a poeta em questão nos recomendava a abrir as janelas da alma e é o que fazemos neste 'post'. Abrimos nossas janelas para o mundo exterior.

Falamos sobre o eterno confronto entre os intectualizados e sempre contidos franceses e os extrovertidos moradores da península itálica, que vivem logo ali, ao lado.

A disputa entre Asterix, o bravo gaulês, sempre acompanhado do Obelix e seus menires, e a soldadesca romana, com seus sandaliões de legionários empoeirados e ridículos, parece não ter fim.

A rivalidade entre França e Itália é irreversivel. Nenhuma comunidade européia conseguirá acabar com ela. É como flamenguista versus vascaino, no Rio, ou corintiano e palmeirense em São Paulo.

Vejam a provocação que o correspondente do sempre inteligente "Le Monde", publica sobre o momento político italiano.

Segundo o correspondente do jornal em Roma, Jean Jacques Bozonet, a classe política italiana é ineficaz, onerosa e, principalmente, corrupta.

Esse tal de Bozonet deve ser o jornalista padrão "Monde", modelo anos 60.

Um tipo ranzinza, que vive se esqueirando, chápeu tipo inspetor Clouseau, fumando um "Gitane" atrás do outro.

Enfim uma figura que beira o soturno.

Se acontecesse no Brasil, provavelmente alguma alta autoridade o deportaria sem maiores delongas.

Mas, 'hèlas', eles são franceses, italianos - europeus enfim - e se acham mais civilizados do que nós, de temperamento quente, latino-americano, que vivemos entre as arrogâncias de um Pancho Villa, herói mítico-revolucionário mexicano, e a melancolia nostálgico-romântica do Trio Los Panchos.

Classe política onerosa ? Corrupta ?

Ah...se fosse aqui, ele iria ver o que era bom !

Só os discursos inflamados de protesto nos plenários da Câmara e no Senado levariam à loucura as delicadas taquígrafas das chamadas Casas Legistativas. Várias desmunhecariam no percurso.

Isso para não falar na rápida reação do Ministro da Justiça de plantão, fosse ele de qualquer partido. Ou mesmo apartidário.

O ministério acionária imediatamente todo o dispositivo legal (que muitas vezes resvala para a ilegalidade) e tomaria as providências cabíveis.

E o que diz, no seu despacho, esse desqualificado cidadão que se assina Jean Jacques Bozonet?

Ele lembra o comentário de Oscar Luigi Scalfaro, que na época era o chefe do Estado: "Foram questões de ordem ética, e não problemas políticos, que provocaram a queda da Democracia Cristã e do Partido Socialista Italiano".

Scalfaro disse isso numa entrevista ao diário "La Repubblica", próximo do centro-esquerda.

Esse desencanto com a falta de ética na política, aliás, é diagnosticado pelo próprio "La Repubblica" como um dos motivos das dificuldades que Romano Prodi, o atual presidente do Conselho, vem enfrentando para concretizar as reformas que dele se espera desde a sua eleição, um ano atrás.

O ranzinza (às vezes enigmático) homem do "Monde" cita outro diagnóstico, agora do 'ferrarista', Luca Cordero di Montezemolo.

Entre uma vitória e outra do 'brasiliano' Felipe Massa, Luca di Montezemolo preside a Confindustria, uma espécie de Fiesp local.

Ele disse numa reunião de empresários que a política é a principal empresa do país, com cerca de 180.000 eleitos.

E explicou. "O custo da representação política no seu conjunto é igual aos da França, da Alemanha, do Reino Unido e da Espanha reunidos. Só o sistema dos partidos custa ao contribuinte 200 milhões de euros por ano, contra 73 milhões na França".

Vão além as infâmias relatadas pelo homem do "Monde". Ele lembra, por exemplo, que no parlamento estão presentes 17 blocos parlamentares e 23 partidos políticos, sendo que desses últimos, 17 obtiveram menos de 3% dos votos.

E o que dizer do paquidérmico governo, que sustenta o peso dos seus 105 ministros e subsecretários de Estado?, indaga o intrigante Bozonet?

Ele mesmo tenta uma resposta desajeitada afirmando que um livro publicado recentemente, intitulado "A Casta", apresenta um levantamento da lista espantosa das vantagens, dos desperdícios e dos escorregões de dirigentes descritos como sendo "intocáveis".

Esta enquête foi realizada por dois jornalistas, é um sucesso de vendas nas livrarias.

Nele, descobre-se que, dotado de um orçamento de 224 milhões de euros (R$ 638 milhões), o palácio do Quirinal custaria quatro vezes mais do que o palácio de Buckingham na Inglaterra.

Um inquérito conduzido por uma ONG de contribuintes, revelou que a Itália pulveriza todos os recordes em matéria de carros oficiais de função.

Do chefe do Estado até o mais anônimo conselheiro da menor repartição pública local, haveria mais de 574.215 deles em circulação servindo à máquina pública.

Na França seriam apenas 65.000.

Diz ainda o ranzinza homem do "Monde" que a imprensa divertiu-se calculando que, caso todos eles fossem enfileirados, esses carros formariam um gigantesco engarrafamento de 2.756 quilômetros.

Ele lembra também que ao longo dos últimos anos, a Itália assistiu a um aumento irresistível do número dos conselheiros nas regiões, a uma multiplicação das contratações nas coletividades locais, e a um recurso sistemático da administração a consultores e a supostos especialistas exteriores.

"Quantas creches nós poderíamos construir com o salário que vem sendo pago aos 18.000 conselheiros administrativos dessas entidades públicas?", indagou o Montezemolo na sua exposição ao patronato italiano.

Luca di Montezemolo insistiu num ponto: "Uma coisa é respeitar a política e os seus custos, outra coisa bem diferente é fingir que nada de errado está acontecendo diante da duplicação das estruturas, dos encargos, das prebendas que oneram a coletividade, e ainda diante de toda uma série de privilégios que muitos políticos atribuíram a si próprios".

E prossegue o intrigante Bozonet: "Nós desenvolvemos o federalismo sem obrigar, no mesmo tempo, o Estado central a emagrecer, o que duplicou a burocracia, criando novos terrenos propícios para a corrupção", comentou Bruno Ferrante, um antigo prefeito que foi nomeado recentemente alto-comissário contra a corrupção.

Esta última estaria "em processo de progressão exponencial", segundo o general Giuseppe Vicanolo, da Guardia di Finanza (força policial fiscal a serviço do ministério da Economia e das Finanças).

Em 2006, 147 pessoas foram presas e 1.072 foram alvos de processos judiciários.

Trata-se de um recorde no período dos últimos dez anos, mas que poderá ser batido em 2007.

Para os quatro primeiros meses do ano, o responsável da polícia financeira deu conta de 93 prisões e de 130 milhões de euros (R$ 340 milhões) em comissões ocultas já confiscados.

A corrupção envolveria mais da metade das administrações centrais e cerca da metade das coletividades locais.

Em regime de emergência, o parlamento se debruça sobre um plano de redução das suas despesas e dos privilégios dos parlamentares.

Esta "empreitada de moralização" foi apresentada pelo presidente da Câmara dos deputados, o comunista Fausto Bertinotti, como "um sinal de estão sendo ouvidas" as críticas que emanam da opinião pública.

O governo prepara para meados de junho um projeto de lei constitucional que irá modificar as relações entre o Estado, as regiões e as sociedades locais. O plano prevê um drástico enxugamento da administração pública.

E Bozonet finaliza seu comentário com uma observação que beira a subversão quando vê no horizonte o risco de regressão democrática.

Esse risco já teria sido denunciado por alguns editorialistas.

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Meu caro Jean Jacques Bozonet, se me permite a liberdade de dirigir-me diretamente a você (lembro que os editorialistas da grande imprensa muitas vezes dirigem-se diretamente a chefes de Estado e até ao papa), existe uma frase célebre sobre a politica italiana que a direita atribui à Mussolini e a esquerda ao veterano lider Sandro Pertini.

Indagado se era difícil governar a Itália, Mussolini ou Pertini, teriam respondido : "Não é dificil, é inútil".

Portanto, M. Bozonet, deixe de fazer provocações grosseiras contra os italianos.

E, se aceitasse um conselho, recomendariamos que sequer se atreva a por os pés no território nacional.

Não apareça por aqui com sua bagagem de maledicências.

Isso pode colocar em risco o excelente relacionamento entre nossos governos.

Governar o Brasil, como diziam Mussolini ou Sandro Pertini, também não é dificil. É inutil.

enviada por Tão






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